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Introdução
No
século XXI as sociedades defrontam-se com novas condições que obrigam a
uma adaptação da vida, das instituições e do exercício do poder
político.
Meios
de comunicação digitalizados e outros desenvolvimentos tecnológicos
revolucionaram o conceito de tempo e espaço. Em qualquer parte do mundo,
as pessoas podem comunicar e obter informação e conhecimento, em
segundos. É possível tudo questionar e há oportunidade para, muito
rapidamente, congregar e mobilizar indivíduos.
A
economia global cria oportunidades de crescimento e de futuro, nos
países ricos e nos países pobres, mas, se não forem assumidos
compromissos, comporta sérios riscos, para a liberdade e para a justiça,
para a saúde e para a vida. As desigualdades sociais tendem a aumentar,
as disputas sobre matérias-primas e recursos energéticos são uma ameaça
para a paz, o aquecimento global devastará condições de vida e recursos
alimentares, e a satisfação das necessidades de mais de seis biliões de
pessoas fará estremecer o equilíbrio ecológico do planeta.
Este é
o mundo em que vivemos, pleno de oportunidades e de perigos. Não lhe
podemos fugir, nem nos podemos alhear. Veja-se o colapso financeiro
mundial, gerado pelo liberalismo especulativo, e a forma como ele afecta
todos os países e todas as pessoas.
Em
Portugal, o cidadão já sente os efeitos nefastos da globalização,
deslocalização de empresas, desemprego, concorrência de mercadorias de
baixo preço, dificuldades no finan ciamento, produtos energéticos
demasiado caros. A estes factores externos, somam-se uma série de
circunstâncias internas que acrescem as dificuldades e a inquietação da
nossa sociedade. Estas são o epicentro da nossa atenção.
Efectivamente, para a maioria dos portugueses, os tempos que correm não
são animadores, na economia e na política, na segurança e na justiça, na
educação e na saúde.
No
aspecto económico, os tempos são de sacrifício, de contenção e de
incerteza. Emergindo da revolução de Abril, o processo de redistribuição
da riqueza e a necessidade de investimento em infra-estruturas básicas,
aliados à euforia e alguma irresponsabilidade colectiva, desviaram-nos
da preocupação com a competitividade e o desenvolvimento sustentado.
Posteriormente, a fraqueza do controlo público permitiu que os fundos
comunitários fossem desbaratados a favor de uns poucos, ineficazmente,
ao mesmo tempo que teorizações económicas balofas conduziram ao
desinvestimento nas actividades tradicionais para nos centrarmos
exclusivamente na miragem tecnológica, tendo disso resultado maior
debilidade do tecido produtivo. Por último, o favorecimento da
especulação financeira e o neo-liberalismo que se instalou, mais
agravaram a situação, acrescendo à delapidação produzida por corrupção e
por uma trupe de apaniguados partidários que suga boa parte do
património colectivo.

Na vida
pública, a ética é coisa que não abunda. A verdade, a transparência e a
honradez cedem, frequentemente, perante a mentira, as falsas promessas,
a propaganda e os negócios de bastidores. A classe política dominante
facilmente saltita entre cargos oficiais, chorudas colocações em
empresas públicas e colaborações em empresas privadas, onde aufere
remunerações principescas, porventura, em troca do favorecimento
indevido e do tráfico de influências. Políticos arvorados em gestores
públicos, obtendo salários e reformas escandalosas, e até deputados
acumulando múltiplas colaborações, de transparência duvidosa, é o que
não falta.
O
debate político é quase inexistente, cultivam-se as pequenas querelas e
a demagogia, em detrimento da discussão séria das grandes questões. Os
maiores partidos coincidem nas políticas, repartem as benesses e
revezam-se no poder. Os restantes partidos não têm capacidade
mobilizadora, porque a sua doutrina não cativa amplas camadas sociais,
ou porque a sua organização, em torno de protagonistas iluminados, não
inspira confiança geral. Com tudo isto, há uma governamentalização do
regime, a função parlamentar perde dignidade, mais nos parecendo um
teatro de marionetas, e a única oposição política consistente é a que se
faz na rua, como se provou recentemente com professores e camionistas.
Se
olharmos aos direitos fundamentais, transpostos como princípios
constitucionais, vemos que estão mais distantes. Cada vez é maior a
diferença entre ricos e pobres. Mais de um quinto da população vive
abaixo do limiar de pobreza e aumenta o fosso entre ricos e pobres. Há
uma saúde para ricos e uma saúde
para pobres. Há educação para ricos e
educação para pobres. E, até, todos sentem que há uma justiça para os
pobres e outra justiça para os ricos e poderosos. Onde está pois a
igualdade, mesmo entendida como igualdade de oportunidades?
O
direito ao trabalho sofre graves constrangimentos. É crescente o número
de trabalhadores que enfrenta o desemprego e a precariedade, não só em
consequência das leis do mercado e da concorrência, mas também em
virtude de enquadramentos legais que favorecem os especuladores e
oportunistas. A generalização do trabalho temporário é uma afronta à
consciência social. É chocante que o próprio Estado reduza funcionários
e, alargadamente, contrate trabalho temporário, mais caro e de menor
qualidade, usando os dinheiros públicos para enriquecimento de algumas
empresas, em prejuízo dos salários dos trabalhadores e da sua protecção
social.
Também
a liberdade começa a estar limitada. Não se fala aqui dos mecanismos de
controlo e vigilância provindos do aparelho estatal, mas da liberdade de
cada um, no seu dia a dia, de fazer o que quer e quando quer, e essa
prende-se com a paz social e com a segurança. As desigualdades minam a
solidariedade entre as pessoas e estimulam a revolta. A pobreza, o
desemprego, os baixos níveis de educação, o desenraizamento cultural
facilitam a exclusão e o comportamento violento. Todos juntos criam
terreno favorável à marginalidade e ao crime que, directamente e
amplificados pela comunicação social, geram o medo e a insegurança que
condicionam a liberdade do indivíduo.
Ainda
em relação à liberdade, há igualmente que considerar, e afastar,
potenciais riscos futuros. O ambiente de insegurança e de desilusão com
o sistema judicial gera condições para a aceitação da falsa ideia de que
será necessário sacrificar a liberdade, em troco da segurança. Daí
resultará a imposição de restrições que, por hora, são abstractas e
distantes, mas há factos que já justificam preocupação, posto que se vai
urdindo uma teia, em resposta à criminalidade e insegurança, que, a
curto prazo, poderá colidir com o exercício das liberdades e a essência
do Estado democrático. Fizeram-se ataques aos juízes e à sua
independência, centralizou-se a investigação criminal no Ministério
Público, criaram-se forças de polícia especiais, de informação, de
segurança, e também económica, e colocaram-se todos estes meios na
dependência do Primeiro-Ministro. Assim se construiu um refinado
aparelho policial que, com as actuais capacidades da vigilância
electrónica, pode vir a tornar-se um instrumento de controlo e de
manipulação tão sofisticado, como nunca o Professor Salazar sonhou. Às
vezes a democracia dá origem a coisas perversas. Imagine-se que os
partidos dominantes se casam, como é preconizado por alguns dos seus
militantes de topo. Resistirão os seus dirigentes à tentação de usar um
tal poder em proveito próprio e para se perpetuarem?
Seria
enfadonho escalpelizar todos os grandes problemas de que a nossa
sociedade padece. Eles são por demais conhecidos e os portugueses
sentem-nos todos os dias. Portugal é hoje o país menos competitivo da
Europa. O modelo educativo falhou, na acessibilidade, na qualidade, na
preparação para o mercado de trabalho. A justiça é tão lenta que se
esvazia. O sistema de saúde está a desmoronar-se, corroído pelas más
políticas e pelo mercantilismo. Os impostos são pesados, para as
famílias e para as empresas. O apoio social é fraco, sobretudo para os
velhos e para os incapacitados. Bens essenciais, como a habitação e os
transportes, esgotam os orçamentos familiares. O endividamento é
insustentável. O exagerado custo da energia, e de outros serviços, e os
entraves burocráticos retiram competitividade às empresas. Certas vezes,
os mecanismos da concorrência são adulterados, por regras que favorecem
os grandes investidores e barram os pequenos. A polícia económica
apavora o pequeno comércio. A criminalidade dispara. Os valores morais
estão em decadência. A cultura é pobre, nos recursos e na mensagem,
difundindo-se a futilidade, o escândalo e a intriga. O desporto
tornou-se alienação, o convívio deu lugar à violência, procura-se ganhar
a qualquer preço e esquece-se o exercício saudável.
Os
motivos de insatisfação social são pois muitos e relevantes. Torna-se
fácil entender a angústia dos portugueses, o distanciamento da vida
política e a desconfiança nos políticos. Mas, além de compreender a
crise, que é muito mais estrutural e sistémica do que simples efeito da
conjuntura, importa sair dela e encontrar rumo firme para uma sociedade
mais próspera, mais justa e mais solidária. Em nosso entendimento não há
soluções milagrosas, nem indivíduos providenciais. Claro que a liderança
política é muito importante, no bom e no mau sentido, mas a
responsabilidade é de toda a sociedade. Não interessa aqui atirar a
culpa para cima dos políticos, pois somos nós que os escolhemos, e que
votamos aquilo que nos propõem. Se as propostas são más, ou se os
governantes não cumprem o que prometem, em todo o caso os eleitores são
responsáveis, ou porque escolhem mal, ou porque se deixam enganar por
promessas demagógicas. Se há falta de ideias, se há incapacidade, se há
acomodação na classe política, então terão que ser os cidadãos a exigir,
a mobilizar-se, a apontar novos caminhos. Uma sociedade passiva é uma
sociedade decadente. Nós, Democracia Viva, queremos dar o nosso
contributo, na mobilização social, na defesa da democracia e dos
direitos fundamentais, na responsabilização dos eleitores e dos eleitos,
na cultura dos valores éticos, na exigência de uma nova forma de fazer
política, mais transparente e mais verdadeira, ao serviço dos
portugueses e dos interesses de Portugal. Temos valores, temos
propostas, vamos intervir.
Os
nossos valores nucleares
Os
valores que perfilhamos traduzem-se nos princípios constantes dos nossos
estatutos.
Num
primeiro núcleo, colocamos os direitos fundamentais, liberdade,
igualdade, justiça. Liberdade de se auto-dirigir, livre da
arbitrariedade das autoridades, e capacidade de construir a própria
personalidade, numa sociedade que garanta iguais condições de acesso à
educação, à cultura, ao emprego, ao apoio social, à política,
independentemente de raça, sexo, religião, ou estatuto económico.
Igualdade de oportunidades e de tratamento perante a justiça e a
administração.
Outro
valor fulcral é a cultura democrática. Reforço da cidadania e democracia
participada e responsável, na política e na comunidade.
Como
modelo de democracia, defendemos um Estado interventivo, promotor da
democracia social, provedor dos direitos básicos e regulador da
economia. Defendemos a solidariedade, garantia de dignidade em todo o
ciclo da vida, e a coesão social, porque indispensáveis à plena
realização dos indivíduos, à segurança e à paz.
Num
último grupo, que constitui a infra-estrutura de qualquer sociedade,
pomos os valores morais e éticos. Na vida política ou na relação social,
exigimos rectidão, verdade, responsabilidade, transparência, sentido do
dever, equidade, fraternidade, honra. A erradicação da corrupção deve
ser uma orientação permanente.
As
nossas propostas
As
nossas propostas obedecem a um princípio muito simples. O de que, em
democracia, todos têm direitos, todos têm deveres, todos têm
responsabilidades. Acreditamos que só o aprofundamento da democracia e o
envolvimento de todos os cidadãos permitirão construir uma sociedade
harmoniosa e progressiva. Por isso defendemos uma democracia viva.
As
propostas que se seguem, não sendo detalhadas, nem exaustivas, traduzem
o que consideramos mais relevante para o aperfeiçoamento da organização
política e para o progresso do País.
Moralização da vida pública.
-
Definir um
rigoroso regime de incompatibilidades.
-
Instituir um
código de conduta dos titulares de cargos públicos.
-
Limitar as
remunerações dos agentes e representantes do Estado, directos ou
indirectos, incluindo as empresas públicas, ao vencimento do
Presidente da República.
Democratização do aparelho do Estado e desconcentração de poderes.
-
Reformar o sistema
político, torná-lo mais participativo, aproximar eleitos e
eleitores.
-
Desgovernamentalização do regime.
-
Dignificação da
função parlamentar.
-
Acautelar o
controlo democrático do Ministério Público. Vincular a escolha do
Procurador-Geral da República, a aprovação pela Assembleia da
República, por maioria qualificada.
-
Reforço do
controlo parlamentar sobre os Serviços de Informação e Segurança.
-
Extinguir a
polícia económica, ASAE, força encarada como intimidatória dos
pequenos agentes económicos, passível de condicionar a liberdade
individual, que contribui para a excessiva concentração de poderes
no Primeiro-Ministro, tanto que as suas atribuições podem ser
cabalmente asseguradas pelas entidades administrativas e polícias
regulares.
-
Extinguir as
Entidades Reguladoras que não têm utilidade social prática, conferem
opacidade ao sistema político e são um grande encargo financeiro. Em
democracia, a regulação não deve ser entregue a eminências pardas do
regime, devendo ser assegurada pelos órgãos próprios do Estado, e em
última instância pelos representantes directos do povo, a Assembleia
da República.
-
Desconcentração e
descentralização administrativa.
Prestigiar a Justiça, trave-mestra do Estado democrático, tornando-a
rápida e pacificadora.
-
Dignificar a
função judicial e respeitar a independência dos magistrados, sem
esquecer que agem em nome do povo e devem obediência à democracia.
-
Dotar os tribunais
de suficientes recursos, para que se lhes exija prontidão e
eficiência.
-
Agilizar os
mecanismos processuais, sem prejudicar as garantias de defesa
indispensáveis.
-
Garantir igualdade
de acesso a todos os cidadãos, apoiando os necessitados.
Defesa
do Estado providência na educação, na saúde e na protecção social. Ser
proactivo nas políticas sociais.
-
Tomar a educação
como a prioridade nacional, factor primário de progresso e de
competitividade. Educação de qualidade desde a infância.
Responsabilização dos indivíduos e das famílias pelo sucesso da
formação básica e pela orientação profissional. Promover a formação
continuada durante toda a vida, condição de evolução e de mobilidade
laboral., e obrigar nela os desempregados de longa duração e os
beneficiários do rendimento social. Garantir igualdade no acesso e
ensino público para todos. Relevar o estatuto e a autoridade dos
professores, em função da grande responsabilidade social que têm.
-
Defesa do Serviço
Nacional de Saúde, garantia de igualdade na acessibilidade aos
cuidados de saúde. Investir na medicina preventiva e promover
hábitos de vida saudáveis. Apelar à responsabilidade individual na
prevenção da doença, estimulando o exercício, a dieta equilibrada, o
controlo dos factores predisponentes e a detecção precoce.
Dignificar os prestadores de cuidados e clarificar o regime de
incompatibilidades. Defender os hospitais públicos do mercantilismo
e do neo-liberalismo parasitário. Definir o papel supletivo dos
prestadores privados e proporcionar-lhes um enquadramento estável
para poderem planear e desenvolver sua actividade.
-
Garantir dignidade
e solidariedade no apoio social. Segurança social condigna na
incapacidade, no desemprego e na velhice. Proactividade no
desemprego, incentivando a aquisição de novas competências
profissionais e o auto emprego. Proactividade sobretudo na terceira
idade, ajudando os indivíduos a planear e a familiarizar-se com os
meios de apoio na doença e na velhice. Apoio à maternidade e às
famílias, elementos nucleares da organização social. Definir um
tecto para o valor das pensões sociais, que jamais deverá exceder o
vencimento de um ministro, e encaminhar esses recursos para reduzir
as diferenças entre grandes e pequenas reformas.
Defesa
da democracia económica e do papel regulador do Estado.
-
Protecção da
iniciativa privada, essencial à inovação e à competitividade do País
na sociedade global contemporânea, libertando-a de entraves
administrativos e burocráticos inusitados.
-
Rejeição do
liberalismo e da especulação financeira, que estão na génese das
grandes desigualdades sociais, do sacrifício dos mais débeis e das
grandes crises económicas.
-
Forte participação
do Estado, de modo a prevenir a usura e a especulação, no sistema
financeiro, no ramo energético e nas infra-estruturas, sectores
fundamentais para a vida das famílias e para a subsistência e
competitividade da generalidade das actividades económicas.
-
Colocar o
investimento público ao serviço dos cidadãos. Investir por critérios
rigorosos de utilidade pública, e não por mera pressão de interesses
particulares. Questionar obras megalómanas, grandes sorvedouros de
dinheiro, sem sustentabilidade económica e com fundamentação irreal,
tipo “placa giratória intercontinental” ou “alta velocidade para nos
ligar à Europa”. Privilegiar os investimentos com impacto imediato
na economia e na qualidade de vida das pessoas: resolução das
acessibilidades e transportes nas zonas urbanas, correcção das
assimetrias regionais, desenvolvimento do interior.
-
Travar a
delapidação do erário público, quer ligado aos grandes interesses,
através de corrupção e tráfico de influências, quer perpetrado por
fuga ao fisco, falsos desempregados, etc. Vincular os beneficiários
de subsídios de desemprego de longa duração, ou de rendimento de
inserção, a colaboração cívica, ainda que simbólica, nas autarquias,
nas escolas, nos jardins, ou noutras entidades públicas, e fazer
disso instrumento de cultura social.
Progresso sustentável e preservação dos recursos naturais.
-
Prevenir a
excessiva dependência do sector de serviços, muito sensível a
factores conjunturais, e incentivar o sector primário e a indústria
transformadora, que porventura menos prósperos, são mais estáveis, e
indispensáveis a uma economia que se quer virada para o pleno
emprego.
-
Investir na
investigação, no conhecimento e na tecnologia, sem hipotecar o
desenvolvimento equilibrado. O avanço científico e tecnológico é
crucial para o progresso e bem-estar social. As empresas
tecnológicas proporcionam valor acrescentado, riqueza e empregos, em
regra bons empregos. Logo, merecem incentivo. Contudo, estão
sujeitas a feroz concorrência e, por isso, são muito voláteis,
fundem-se, extinguem-se e deslocalizam-se facilmente. Uma economia
concentrada nas empresas tecnológicas é demasiado incerta e
vulnerável, pelo que o nosso futuro não pode ser hipotecado a uma tal
estratégia.
-
Encorajar a
actividade turística, preponderante recurso e empregador nacional,
buscando o turismo de qualidade, compatível com o meio ambiente,
privilegiando a sua sustentabilidade, extensão geográfica e
diversificação, introduzindo-lhe outros componentes, além dos
característicos, praia, sol e golfe.
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Recuperar as
actividades económicas tradicionais. Na economia global, onde as
mercadorias circulam facilmente, importa introduzir algo de
específico e característico, que garanta competitividade. Há que dar
condições aos sectores tradicionais portugueses, erradamente
descurados, valorizar os produtos e promover a sua divulgação e
distribuição. Temos que apostar nos produtos típicos e de qualidade,
como forma de conquistar mercado e de nos defendermos da
concorrência, pois a nossa capacidade de competir em produtos
generalistas é limitada.
-
Preservar o espaço
agrícola e desenvolver a agricultura. A explosão demográfica e o
aumento de poder de compra das populações orientais irão colocar
enorme pressão sobre a procura e os preços dos produtos alimentares.
Portugal tem grande dependência alimentar do exterior e,
paradoxalmente, tem vastas áreas agrícolas por explorar. Produções
que não eram lucrativas voltaram a sê-lo, agricultura não tem que
ser sinal de pobreza, por isso urge preservar as áreas de cultivo e
explorar todas as oportunidades que a política comunitária nos
faculte, na agricultura e nas pescas. O desenvolvimento da
agricultura é uma prioridade imediata, por razões de economia, e por
questões estratégicas, de modo a garantir auto-suficiência alimentar
e nos pôr a salvo de situações críticas, que até podem provir de
acontecimentos circunscritos, como demonstrou a recente greve dos
camionistas.
-
Apostar nas
energias renováveis e preservar o equilíbrio sustentável entre o
meio ambiente e as necessidades do homem.
Promoção da segurança e combate à criminalidade.
-
Abordagem
prioritária das condicionantes sociais da criminalidade. Combate à
pobreza e à exclusão social. Promoção da integração educativa,
cultural e social. Desagregação dos guetos.
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Reforço da vida
social e das relações de vizinhança, como instrumentos de dissuasão
e de vigilância do comportamento violento e criminoso.
-
Dignificação do
papel dos agentes de autoridade, investindo na sua formação cívica,
e dotando-os dos instrumentos operacionais adequados.
-
Revisão da
legislação penal e processual e tornar efectivo o sistema judicial.
Política externa universalista, solidária com a Europa.
-
O reforço da União
Europeia, como união voluntária de estados e de cidadãos, e não a
construção imposta por burocratas corporativos, deve ser um
objectivo claro. A solidariedade no espaço comunitário deve ser
regra, tanto na vertente social e económico-financeira, como no
campo da defesa e da política externa. Para o progresso comum e para
a paz, é conveniente que a Europa assuma a autonomia dos seus
valores e dos seus interesses.
-
O espaço lusófono
deverá merecer-nos uma atenção particular, mas sem esquecer o pendor
universalista de Portugal, forjado no passado histórico e nos
movimentos migratórios, que nos traz vantagem no actual contexto
mundial. Não podemos sacrificar essa posição privilegiada, em
obediência a interesses alheios. Os valores democráticos e a defesa
dos interesses nacionais impõem que nos demarquemos do belicismo e
do hegemonismo, pugnando por uma ordem mundial multilateral, justa e
solidária, respeitando a dignidade de cada povo.
Desenvolver a fraternidade e a coesão social.
-
Promover o
desenvolvimento da sociedade civil, nas suas múltiplas formas de
expressão. Cultivar as relações de vizinhança. Instigar o
associativismo, económico, cultural, ou lúdico.
-
Investir no
desporto de massas, nos clubes e nas colectividades recreativas,
tornando-os promotores de bem-estar e de coesão social.
-
Democratizar a
cultura e difundir uma cultura de responsabilidade social e de
valores éticos e morais.
-
Cultivar a
independência, a pluralidade e a responsabilidade da comunicação
social, enquanto instrumento de conhecimento e de escrutínio da vida
pública.
A
nossa intervenção
Numa
sociedade de cidadãos desligados da vida pública, sem o hábito da
exigência, do debate político e do envolvimento na comunidade, pretender
ter intervenção, fora dos partidos políticos, parece quase caricato.
Apesar disso, a nossa determinação é firme. Julgamos que também útil.
Muitos comentam em surdina. Nós publicitamos as preocupações, comuns a
muita gente. Certamente alguns nos ouvirão, outras ideias vão aparecer e
algum efeito se há-de produzir. Talvez sejamos uma gota de água, mas de
gotas de água se formam os rios. Umas se evaporam, outras fertilizam,
mas todas necessárias. Importante é que se combata a desertificação. O
nosso propósito é desafiar o deserto de ideias, o marasmo e o
desapontamento.
Apesar
das limitações e das dificuldades, temos bem definido o que fazer e como
fazer.
O
primeiro passo é a divulgação do movimento, dos seus objectivos, dos
seus princípios e das suas propostas. Faremos essa divulgação pela
internet, por telefone, pela comunicação social, e por qualquer outro
meio viável. Divulgar a Democracia Viva e cativar a adesão de aderentes
é a etapa mestra. Cada novo aderente traz novas ideias, e ideias novas
cativam mais aderentes. Assim se engrossa a corrente.
Uma
noção fundamental é recordar que não queremos ser apenas um espaço de
discussão. Propomos uma intervenção política e social efectiva. Para
sermos efectivos precisamos ter uma estrutura em cada local, concelho a
concelho, que conheça os problemas da sua terra, que dinamize, que
aponte soluções, e capaz, até, de confrontar os decisores políticos. Só
a existência de estruturas locais credíveis permitirá captar um amplo
número de aderentes e construir um movimento com valia nacional.
A
última etapa organizativa será a composição dos órgãos nacionais e
distritais, de acordo com os princípios estatutários. A organização do
movimento configura um modelo de hierarquia representativa dos
dirigentes locais. Este modelo organizativo assegura ampla democracia
interna e garante coordenação doutrinária. Se formos capazes de
construir toda a estrutura do movimento, seguramente teremos sucesso
pleno.
Paralelamente ao processo organizativo, faremos a intervenção política e
social que os recursos nos permitirem. Estamos confiantes na adesão de
muita gente e de gente com muita qualidade, pelo que levantamos âncora
com muito ânimo. Haverá algumas desilusões e alguns dissabores, mas nada
que impeça a navegação. Também a nada estamos obrigados. Apenas
solidários na defesa da democracia e do progresso de Portugal.
Mais
do que ideologia, queremos defender valores, que tão arredados estão da
política nacional. Temos princípios, temos ideias, temos projecto. Vamos
agir. Queremos agitar consciências e motivar gente comum. A nossa
sociedade precisa revitalizar. Aos democratas inconformados com a
situação do País, apelamos que divulguem a Democracia Viva e se juntem a
nós. Se formos muitos, seremos ouvidos. Juntos podemos construir uma
organização forte, com ideias próprias, capaz de influenciar, e na qual
a acção e o rumo serão fruto da vontade comum.
Outubro, 2008 |