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 Actualidade


Esta página destina-se a divulgar e comentar os factos que vão marcando a vida nacional e a acompanhar as actividades e orientações da Democracia Viva (DV).

Estando a DV a dar os primeiros passos, abrimos este espaço com uma entrevista ao homem que a idealizou, o seu actual Coordenador Nacional, de modo a entendermos as motivações e objectivos que lhe estão subjacentes e podermos perspectivar a evolução e sustentabilidade deste projecto.

Dr. Horácio Guerreiro, o que o leva a querer intervir na política e a empenhar-se na Democracia Viva?

As motivações são sentimentos complexos, é difícil apontar um simples facto. Desde jovem que acompanho o fenómeno político, sobretudo na perspectiva filosófica e doutrinária, mas, também, participando em acções políticas pontuais, que sempre fiz fora de partidos, por achar que a filiação partidária não se harmonizava com a minha actividade profissional. Sendo um democrata convicto, a degradação da nossa vida colectiva, a disseminação da pobreza e o desânimo das pessoas, que observo diariamente, sensibilizaram-me para a necessidade de se fazer alguma coisa por uma sociedade em crise, dirigida por uma classe política acomodada ao conforto do Estado, sem capacidade para resolver os grandes problemas do País. Em concreto, diria que o meu gosto pela política e a sensibilidade pelos problemas sociais são a base da minha motivação.

Acha que é possível construir um movimento de base, desligado de partidos políticos?

Em Portugal todos dizem que é preciso mudar, mesmo os que não querem que se mude. A crise social é profunda, todos o sabemos. A descrença nos actuais partidos é grande, e o descrédito dos políticos também. Muita gente propõe mudanças, os saudosistas da ditadura, os populistas, os elitistas, os liberais, os conservadores e até o Dr. Alberto João. Logo há grande apetência para a mudança. A construção de um movimento de base popular, que acredite na força e na vontade dos portugueses, sem compromissos com o passado, que contribua para recuperar o valor da verdade, da dignidade, da integridade, do trabalho, da justiça, prosseguindo uma sociedade democrática e mais fraterna, segundo o modelo social europeu, parece-me uma proposta acertada e útil.

Havendo condições objectivas para novas experiências democráticas, a viabilidade e sucesso da DV dependerão do empenho dos cidadãos em aceitarem um papel mais activo na sociedade, que julgo ser do seu interesse. O facto de não partir de partidos, nem de clivagens partidárias, traduz uma vontade real de mudança, e não um golpe de propaganda, e constitui uma vantagem e uma garantia de transparência.

Não acha que faltam figuras de destaque, com experiência política?

Acreditamos mais em soluções resultantes do diálogo e do debate, do que provindas de criaturas iluminadas. Daí que as figuras tutelares sejam dispensáveis. Podiam até ser prejudiciais, pois não vale a pena ter mais do mesmo. Por outro lado, lembro que são menos de duzentos mil os portugueses com filiação partidária, logo há-de ser possível encontrar gente com muita qualidade e mérito nos restantes dez milhões que têm vivido fora da política e dos holofotes da comunicação social.

Como pensa implementar e desenvolver o movimento?

Numa primeira fase, iremos promover a sua divulgação, na Internet, por via telefónica, através da comunicação social, e por outros meios que consigamos mobilizar. É preciso que as pessoas contactem com os princípios e objectivos da DV. Seguidamente passaremos a criar estruturas, concelho a concelho, que progressivamente venham a abranger todo o País. Quando o número de aderentes o justificar, cuidaremos da questão organizativa, centrando-nos no preenchimento e no regular funcionamento dos órgãos estatutários. A todo o momento, procuraremos desenvolver actividade política, consentânea com a nossa capacidade.

Acredita no êxito desta iniciativa, não receia confrontar-se com o fracasso?

O que eu receio mesmo é o declínio do País, agravamento das condições de vida, aumento da criminalidade, concentração de poderes, politização da justiça, e outros factos que põem em causa a liberdade, a democracia e o bem-estar das pessoas. Neste projecto não temos qualquer receio. Penso que a ideia é boa e generosa e não há nada a perder. O êxito do movimento ver-se-á na adesão dos portugueses, mas, no mínimo dois resultados teremos, a gratificação pelo próprio contributo e a certeza de que vamos despertar alguma reflexão, nos cidadãos e nos partidos. O pior é nada fazer.

Pensa que o movimento poderá vir a transformar-se em partido político?

Num processo deste tipo, todos os cenários devem ser equacionados, eficácia, inoperância, realização ou fiasco. O nosso primeiro fim é defender a democracia e o progresso da sociedade portuguesa, construindo uma força crítica efectiva que obrigue a um novo modo de fazer política, mais participado, mais transparente e mais verdadeiro. Se as nossas ideias captarem adesão suficiente, caberá aos membros do movimento decidir sob que forma irão prosseguir os seus objectivos.

Como acha que as pessoas vão encarar este projecto de lançar um novo movimento político, sem figuras de referência?

Certamente de diferentes modos. Uns, mais desconfiados, desconfiando da própria sombra. Os atrelados aos partidos políticos, e os mais conservadores, vão encarar com antagonismo e rejeição. Alguns, simpáticos, acharão piada à ideia, descrendo do resultado. Outros, tão inquietos quanto eu, concordarão com o projecto, e alguns deles, os mais afoitos e motivados, irão aderir.

Em todo o caso, o mais importante é a lisura e a coerência dos indivíduos e dos projectos, pois os protagonistas formam-se na acção. Afinal, parece-lhe mais insensato propor algo novo e coerente, ou continuar a apostar no modo de fazer política e nos políticos que temos? Olhe que vale a pena pensar nisso.

A terminar, considera que reúne condições para conduzir a Democracia Viva?

Se quer referir-se a experiência de matreirice, jogos de bastidores, manipulação demagógica, certamente que não. Mas esse não é o projecto que queremos desenvolver.

Se se refere a formação política e académica, aí até não estou mal. Sou licenciado em Medicina, sou licenciado em Direito, embora seja isso irrelevante, tenho intervenção socioprofissional de longa data, e desde sempre acompanhei a vida política. Todavia, num movimento que faz da democracia a sua essência, que quer ter uma cultura de responsabilidade, de reflexão participada, de rigor e transparência, muita gente capaz irá surgir, além de que a dinâmica colectiva compensará as limitações de um qualquer indivíduo. Sejamos optimistas.

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